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humans

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25
Jan17

A Filipa

 

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Olhei e vi um rapazinho. Escanzelado. 

E podia jurar que mais a baixo estariam dos joelhos esfolados. Duas calenas de pau.

Dois tornozelos igualmente magrelas, de ossos expostos,  a combinar com as clavículas que quase nos furam os olhos de agudas que são. 

Um rapazinho a quem podiam ter cortado o cabelo às pressas e tesouradas, depois de uma pastilha ter ficado colada à nuca, ou de ter havido piolhos na escola.

Depois olhei melhor....e  lá estava ela, a Filipa. Inconfundivelmente mulher. 

Na evidência incontornavel que é o despido.  

Desvinculada de qualquer sinal de ''norma'' ou de ''vulgaridade'', assim como o nu se desassocia do débil nesta fotografia. 

A Filipa é  o olhar melhor que provem da estranheza.  Do ''não evidente''. 

Um rapazinho franzino. Uma estrutura ossea que tem tanto de inquebrável como de feminino. 

Os olhos abertos para dentro, como só uma mulher sabe fechar. Os lábio semi serrados em pausa, como só uma mulher aguenta e sustem. 

Existe um rapaz na Filipa, a chegar da escola. Existe uma mulher a sair de si. Para si.

E é esta ''não compreensão'' que desarma as frentes do prévio e que faz olhar. Que faz ver melhor. 

E a Filipa, a meu ver, é isso.... o ver.  O olhar atento que só a não compreensão desencadeia. 

É a diferença perguntadora que nos desperta para os cinzentos perdidos no meio das extremidades.

 

 

 

Foto Rui Aguiar

http://ruiaguiarphoto.com/

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