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27
Jan17

(Querida) Marta.

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Chamei-a de ''creme da bola de Berlim'' quando nos conhecemos. Ela riu. Com Norte nas notas do riso, mas com  qualquer coisa do meu Alentejo ''ali à mostra''. A verdade, talvez.

 

A Marta é o especial das coisas. É a roda de samba no desassossego do Verão, e é a ''manta da avó'' pousada nas pernas ''uma vida inteira''. Tudo ao mesmo tempo.

A Marta é o especial das coisas. Das coisas bonitas. Das mais bonitas. 

E o que é que ou estou para aqui a dizer? Basta olhar para ela!  Vê-se nos olhos fechados que vêm tudo com ''doce de abóbora por cima''. No sorriso malandro, que parece esconder mil segredos mas que não esconde coisa nenhuma. Jamais.

Porque a Marta é aquilo que é e é tanto que não imaginam. Que não imagina. 

A Marta é o talento que torna as histórias especiais. O especial que torna as coisas bonitas. A roda de samba com riso de Norte e verdade do meu Sul. É a manta que cobre as pernas da avó e o doce de abóbora que se lambe nas pontas dos dedos. 

 

A Marta é o creme da bola de Berlim... e eu gosto dela desde que lhe bati o olho em cima. 

25
Jan17

A Filipa

 

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Olhei e vi um rapazinho. Escanzelado. 

E podia jurar que mais a baixo estariam dos joelhos esfolados. Duas calenas de pau.

Dois tornozelos igualmente magrelas, de ossos expostos,  a combinar com as clavículas que quase nos furam os olhos de agudas que são. 

Um rapazinho a quem podiam ter cortado o cabelo às pressas e tesouradas, depois de uma pastilha ter ficado colada à nuca, ou de ter havido piolhos na escola.

Depois olhei melhor....e  lá estava ela, a Filipa. Inconfundivelmente mulher. 

Na evidência incontornavel que é o despido.  

Desvinculada de qualquer sinal de ''norma'' ou de ''vulgaridade'', assim como o nu se desassocia do débil nesta fotografia. 

A Filipa é  o olhar melhor que provem da estranheza.  Do ''não evidente''. 

Um rapazinho franzino. Uma estrutura ossea que tem tanto de inquebrável como de feminino. 

Os olhos abertos para dentro, como só uma mulher sabe fechar. Os lábio semi serrados em pausa, como só uma mulher aguenta e sustem. 

Existe um rapaz na Filipa, a chegar da escola. Existe uma mulher a sair de si. Para si.

E é esta ''não compreensão'' que desarma as frentes do prévio e que faz olhar. Que faz ver melhor. 

E a Filipa, a meu ver, é isso.... o ver.  O olhar atento que só a não compreensão desencadeia. 

É a diferença perguntadora que nos desperta para os cinzentos perdidos no meio das extremidades.

 

 

 

Foto Rui Aguiar

http://ruiaguiarphoto.com/

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